Depoimentos
SILVANA, 40 anos, mãe de 8 filhos, um deles, Jéferson, com 18 anos, também
trabalha no Projeto Vira Lata, nasceu na Bahia. Seu marido é pedreiro.
Conheceu o Projeto Vira Lata através de um cadastro feito com os catadores
do antigo lixão de Osasco. "A Cláudia foi lá preencher as fichas no dia
do meu aniversário, botei fé". Entrou no Projeto em dezembro de 2003.
Sobre o futuro: "Olha, meus presentes são minha casa e este emprego
(...) Mas vai chegando uma certa idade, já faz 4 anos que eu não pago o INSS,
tenho filhos pequenos... O cooperativismo precisa dar mais segurança pra gente,
mais segurança ainda".
JORGE, 44 anos, nasceu na Bahia, onde trabalhou como pedreiro até os 20
anos, quando decidiu vir trabalhar em São Paulo. Mora no Jardim Belmonte e
está no Projeto Vira Lata desde a fundação.
"Aqui no Vira Lata faço de tudo, faço triagem, o que precisar, mas meu
negócio é o vidro".
Jorge é o coordenador da área de vidros, e tem muito orgulho do trabalho
que faz. "Vai lá ver o meu trabalho, tem vidro claro, escuro, encho
rapidinho os latões".
Este ano, Jorge voltou a estudar, uma iniciativa do pessoal da Associação
Vira Lata. As aulas são dadas à noite, no Boa Vista. "Lá eu aprendo a
ler e fazer conta".
CÍCERA, 38 anos, nasceu em Alagoas e veio ainda pequena pra São Paulo. Tem
um filho e vive no Jd. Boa Vista. Começou a trabalhar com 15 anos, como babá.
Está no Projeto Vira Lata desde a sua fundação.
"O projeto era pequenininho, começou num corredor do lado da Igreja,
depois foi pra sede, no Boa Vista, e agora estamos aqui, em Pinheiros. E cresce
cada vez mais, dá trabalho pra quem não tem".
Cícera é a coordenadora dos plásticos. "Quando eu entrei aqui
ninguém achou que eu ia ficar. Hoje todos falam que ninguém consegue olhar pro
plástico como eu olho, ninguém presta tanta atenção. E eu ensino todo mundo
que vem trabalhar aqui comigo".
Ela também voltou a estudar, junto com o Jorge, numa parceria da
Associação Vira Lata com o MOVA, no Jardim Boa Vista. "Eu não queria,
tenho criança pequena, mas o Wilson insistiu, pegou no meu pé pra eu voltar a
estudar".
Quanto à Associação Vira Lata: "Eu espero coisa boa pro projeto,
agora com as bancadas vai melhorar, e com a fábrica de telhas, vai ser
bom".
José Antonio, 40 anos, casado,
um filho de criação e de coração,
nascido em Campo Belo-MG,
está morando em São Paulo" há 37 anos e estudou até
7ª série. Sua vida antes do Projeto dá uma longa
história: era promotor de vendas, sofreu um grave acidente que o
impossibilitou de realizar seu trabalho. Foi dependente químico durante
14 anos e já estava quase no fundo do poço quando conheceu uma
casa de recuperação chamada “Resgate e Vida” situada em
Caucaia do Alto, nessa casa o coordenador era uma
padre chamado Toninho que lhe apresentou uma nova vida.
Após cinco meses de internação conheceu o Projeto
Vira Lata que lhe deu um “Projeto de vida nova”.
E hoje após 4 anos atua como coordenador de vendas do projeto e
conseguiu abandonar definitivamente o vício e reconstruir sua vida
com dignidade e respeito. Inclusive constituindo uma família dentro
do projeto.
Laci do Rosário, 50 anos, casada, 5 filhos, nascida em
Joinville-SC veio para São Paulo há 32 anos, estudou
até a 4ª série do ensino fundamental.
Antes de conhecer o Projeto Vira Lata trabalhou em vários locais,
depois ficou desempregada 12 anos, quando seus filhos cresceram quis voltar
a trabalhar, ficou sabendo que na Igreja Divino Mestre, onde tudo
começou, que estava sendo realizado um cadastro para trabalho com
reciclagem. Começou a trabalhar e está no Projeto há
5 anos e é coordenadora.
Sua vida melhorou porque ela não tinha nenhum rendimento e hoje
já conseguiu adquirir várias coisas com o salário,
inclusive ajudando o marido que ganha muito pouco e pode dizer que leva
uma vida razoável e mais digna.
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